It came from the North – [Coletânea]

Ficção especulativa finlandesa

Eu ganhei o ebook dos VanderMeer ano passado, onde eles fizeram altas recomendações de leituras depois de um workshop no qual eu participei. O coitado ficou esperando no kindle por um bom tempo. Eu sempre olhava pra ele e pensava em uma desculpa ou outra – “não estou com vontade de ler contos agora”, “mas eu quero tanto ler aquele outro livro primeiro”, “ele fica pro próximo”. Até que um dia eu estava no metro, acabei o livro que estava lendo e pensei que podia ler um dos contos desse livro só pra não ficar sem ler nada no longo caminho até a aula de dança.

Eu quase perdi a estação em que tinha que descer.

(o que nos ensina que se o seu professor de creative writing indica fortemente um livro, ele provavelmente está certo)

north

(a capa também não me ajudou muito, achei esquisitinha)

Mas vamos lá. It Came From the North é uma coletânea com 15 contos de ficção especulativa editado por Desirina Boskovich. O objetivo da antologia era apresentar pro mundo a literatura especulativa da Finlândia, que acaba sendo bastante inacessível porque a maioria da produção literária do país acaba não sendo traduzida – o que eu acho que acaba sendo um problema com qualquer literatura atualmente que não seja escrita em língua inglesa, ela fica de certa forma limitada aos países do seu idioma de origem a menos que faça muito sucesso e que chame a atenção de alguma editora internacional. E vamos combinar né o número de gente capaz de ler em finlandês no mundo é bem pequeno se comparado com outras línguas. A editora, Cheeky Frawg, busca exatamente divulgar essas pérolas de ficção especulativa que a gente dificilmente conheceria de outra forma, pelo que eu entendi.

E olha, sorte nossa que eles fazem isso. Esses contos são sensacionais. Dos 15 contos acho que só um eu efetivamente não gostei (apesar de entender o apelo pra outras pessoas, mas eu já comentei em algum momento que muito nonsense junto não me agrada) e mais uns dois ou três eu achei fracos. Mas a grande maioria foram daqueles contos que ficam na cabeça e que você continua pensando neles por um bom tempo. Vou falar um pouquinho de cada um: Continuar lendo

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Como vai a vida

Muito cheia de coisas pra fazer! Eu estou devendo uma boa atualização (e um tanto de resenhas também, mas uma coisa por vez). Li 8 livros desde a última resenha que postei e nem todos eles vão ganhar um post próprio, mas todos eles merecem alguns comentários. Então vamos lá:

O que eu andei lendo

Um bocado de coisa, na verdade! Viva o kindle, viva o trem e o metrô e viva principalmente minha vontade de esquecer isso tudo que anda acontecendo aí ultimamente.

O último livro que eu falei aqui foi o Filhos da Meia Noite. Depois dele, eu li:

Eu sou Malala – Malala Yousafzai e Christina Lamb

Eu já tinha curiosidade de ler, ele pulou a fila graças ao projeto do Alimente Heróis com Livros no Catarse. É bem legal, mas minha única crítica é que em alguns momentos a narração em primeira pessoa, como se fosse a própria Malala escrevendo, soa muito falsa e isso quebra o ritmo do livro. Esses dois momentos são no começo, quando o livro fala da história dos pais, da situação do Paquistão no momento em que ela nasce e de quando ela ainda é bem bebezinha, e depois quando ela é baleada no atentado terrorista*. Mas foi uma história que eu adorei ler, acho que estou me interessando mais por biografias ultimamente.

No Paquistão, quando as mulheres dizem que querem independência, as pessoas acham que isso significa que não desejam obedecer a seus pais, irmãos ou maridos. Mas não é isso. Significa que queremos tomar decisões por conta própria. Queremos ser livres para ir à escola ou para ir trabalhar. Não há nenhum trecho no Corão que obrigue a mulher a depender do homem. Nenhuma mensagem dos céus estabeleceu que toda mulher deve ouvir um homem.

* Melhor coisa de falar sobre biografias é que não tem perigo de dar spoiler.

The devil in America – Kai Ashante Wilson

Um conto publicado na Tor.com e disponível gratuitamente em inglês. Uma família negra nos Estados Unidos tenta lidar com o demônio na América, que não é o mesmo com o qual seus antepassados estavam acostumados a lidar na África – e eles próprios já não são os mesmos, depois de terem sido arrancados de sua terra e sua história sem direito a levar seus conhecimentos ancestrais com eles. Tem trechos bem pesados porque lida com negros americanos na época da segregação e toda a violência sofrida por eles, mas é um realismo fantástico bem legal, conforme você vai começando a entender o que está acontecendo e o que são realmente as disputas da família com a mágica que corre em seu sangue.

“I told him, Easter.” Ma’am wiped forefinger and thumb down each dandelion leaf, cleaning off grit and bugs, and then lay it aside in a basket. “Same as I told you. Don’t mess with it. Didn’t I say, girl?”

“Yes, Ma’am.” Easter scooped the clumps of butter into the bowl.

Ma’am spun shouting from her work. “That’s right I did! And I pray to God you listen, too. That fool out there didn’t, but Good Lord knows I get on my knees and prayevery night you got some little bit of sense in your head. Because, Easter, I ain’t got no more children—you my last one!”

It came from the North – Vários

Coletânea de contos finlandeses MUITO BOA. Estou escrevendo um post só pra ela falando mais um pouco de cada conto, mas vale dizer que aposto que vai ser um dos preferidos do ano, fácil fácil. Continuar lendo