História do novo sobrenome [Elena Ferrante]

Da Amazon:

“Lila, que teve os estudos interrompidos por questões familiares – muito cedo teve que trabalhar com o pai e o irmão, se casou cedo. Lenu, por sua vez, consegue se desvencilhar do destino certo das moças da época e não se casa, mas passa a se preparar para a faculdade, levando consigo as marcas definitivas da complexa relação de amizade com Lila – admiração misturada a identificação.”

[Atenção: se você ainda não leu A Amiga Genial, sai daqui que tem spoilers. Ou fica, sei lá, eu não mando na sua vida. Mas já sabe: spoilers]

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Tão linda essa capa *-*

Eeeee vamos lá finalmente terminei o segundo livro da série Napolitana. Sou péssima com séries gente, me desculpem. Quando terminei o primeiro livro eu pulei pro segundo rapidinho só pra saber o que acontecia, já que eu Amiga Genial a Elena Ferrante nos deixa com um cliffhanger danado, que eu estava achando que podia muito bem começar com uma guerra napolitana (guerra de morango chocolate e baunilha?)

E aí a história começa e… nada de caos no casamento. Aparentemente, nada de mais. Começamos com Lenu nos contando sobre ter ganho os diários da Lila da época, que eu achei uma ferramenta bem legal pra explicar porque a Lenu sabe de tudo que está acontecendo com a Lila, seus pensamentos e segredos. Mas mesmo depois disso, quando voltamos pra festa tem só um gosto de decepção: em vez de fazer um escândalo, de anular o casamento lá mesmo porque o Steffano mal casou e já traiu totalmente a confiança dela, Lila parece rir e aceitar tudo o que está acontecendo. E a gente começa a se perguntar se essa Lila Caracci virou mesmo uma pessoa tão completamente diferente da Lila Cerullo.

No fim das contas, a resposta é não. E isso não é nada, nada bom pra Lila.

Lila não se adapta. Lila volta da lua de mel espancada e estuprada pelo marido, que revela ser bem diferente do que era como namorado. O dinheiro e o conforto oferecidos por ele são bons, mas não bons o suficiente para acalmar a sempre inquieta Lila. Mas todos no bairro dizem que ela deve apenas aceitar calada e aproveitar o que conseguiu.

Eu achei muito interessante como nesse livro as diferentes expectativas que o bairro tem sobre as duas garotas vão moldando a vida de cada uma delas mais e mais. O bairro todo se esforça pra sufocar a Lila, fazer com que ela aceite que é e vai continuar sendo tão medíocre quanto o resto deles, que ela casou com o melhor homem do bairro mas ainda assim vai apanhar dele como todas as outras mulheres. Com a Lenu, pelo contrário, a sensação é que ela é diferente deles todos, ela é escolhida, ela é inteligente, e a cada ano que passa, quanto mais ela estuda, mais ela vai se isolando, até finalmente conseguir deixar o bairro para estudar em Pisa.Mas a relação entre as duas é o total oposto da visão das pessoas do bairro: Lila não deixa de lado o ar de superioridade ao lidar com Lenu e esta continua querendo provar para Lila que ela é mais do que só uma garotinha estúpida.

E sem dúvida a relação das duas é o ponto forte do livro. Os anos passam e elas tentam se afastar mas parecem estar presas por uma lealdade feroz a uma amizade que eu diria que beira o abuso em alguns momento, mas que eu outros é tão pura e necessária que as duas não conseguiriam viver sem ela. Um dos momentos mais bonitos dessa amizade, pra mim, é quando elas destroem a foto de casamento da Lila. Mas em todos os anos que se passam no livro, com todas as coisas que acontecem – traições, ganhos e perdas de dinheiro, de amigos, de status, anos de separação – elas não conseguem deixar de ir uma atrás da outra.

I understood that I had arrived there full of pride and realized that—in good faith, certainly, with affection—I had made that whole journey mainly to show her what she had lost and what I had won. But she had known from the moment I appeared, and now, risking tensions with her workmates, and fines, she was explaining to me that I had won nothing, that in the world there is nothing to win, that her life was full of varied and foolish adventures as much as mine, and that time simply slipped away without any meaning, and it was good just to see each other every so often to hear the mad sound of the brain of one echo in the mad sound of the brain of the other.

Além de tudo, este livro ganha meu prêmio pessoal de “Xinguei alto pelo menos cinco vezes”. Sério. Especialmente os homens. Não sobrou UM sem xingar. Steffano e Nino estão lá, pau a pau pro prêmio de pior cara de Nápoles, mas não acho que os outros tenham ficado muito pra trás. Renucho deve ter sido o único que se salvou nesse ponto. E olhe lá.

A voz narrativa da Elena Ferrante continua tão cativante como sempre. Terminamos em um outro cliffhanger de querer morrer, mas acho que mesmo sem ele a vontade de continuar seguindo a história das duas está garantida. Não canso de me enrolar nesse balaio de gato que é as vidas da Lila e Lenu.

Historia do novo sobrenome [Storia del nuovo cognome]

Autora: Elena Ferrante

Tradução: Mauricio Santana Dias (português), Ann Goldstein (inglês)

Editora: Biblioteca Azul

A Amiga Genial [Elena Ferrante]

O hype mais justificado do mundo

Da Amazon:

“O primeiro [livro da Série Napolitana], A amiga genial, é narrado pela personagem Elena Greco e cobre da infância aos 16 anos. As meninas se conhecem em uma vizinhança pobre de Nápoles, na década de 1950. Elena, a menina mais inteligente da turma, tem sua vida transformada quando a família do sapateiro Cerullo chega ao bairro e Raffaella, uma criança magra, mal comportada e selvagem, se torna o centro das atenções. Essa menina, tão diferente de Elena, exerce uma atração irresistível sobre ela.”

(meu deus que blurb imenso que esse livro tem, não vou copiar tudo não)

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Foto de Mario Cattaneo

 

Olha, eu demorei um bocado pra começar a ler a Série Napolitana. Não foi por falta de aviso da Anica e da Taize de que a série era muito boa. Não foi falta de hype em tudo quanto é artigo sobre “melhores livros dos últimos anos” que eu lia. Na verdade acho que a demora até foi um pouco por causa disso tudo, eu estava desconfiando muito de toda essa falação. Mas a verdade é que a Anica quase sempre funciona comigo pra indicações, eu tinha lá o crédito no Audible (ando apaixonada por audiobooks) e, bom, vamos lá ver qual é a dessa misteriosa Elena Ferrante então.

E meus amigos, que livro. Continuar lendo